quinta-feira, 4 de junho de 2009

POR VEZES....

Um juiz é ao mesmo tempo juiz e também espectador previligiado já que está na melhor posição para assistir ao espectáculo.Também é ele que pode ou não "ajudar " a que esse espectáculo seja mais ou menos agradável para quem assiste. Se desenha e monta uma pista e nela as duplas têm um desempenho fluido, torna-se agradável aos olhos de quem assiste. Cada juiz ao fim de algum tempo tem o seu estilo próprio de pistas, mas também está atento ao que de novo vai aparecendo em relação a outras competições.No nosso caso aqui do Brasil ainda mais importante quando o nosso contacto com a Europa se resume ao mundial.Por isso tento estar atento ao que de novo vai aparecendo por lá no que diz respeito principalmente em relação a trajectórias.
Na pista acima isso está evidente em algumas situações.Eu gostei da pista com um todo mas não gostei de uma sequência, como espectador e como juiz , A sequência é 5, 6 e 7. Aquele out no 6 não agregou nada á pista e a entrada do cão na rampa A ficou um pouco "forçada ".Se tivesse de usar hoje esta pista faria o 6 pelo lado normal pois não só iria ficar mais fluido como traria maior dificuldade ao condutor ao evitar o salto em 13 e o tunel em 15.
POR VEZES o desenho engana.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

BRASILEIRO

Este fim de semana mais duas etapas do IX Camp Brasileiro, a 7ª e 8ª.Depois destas restam apenas mais duas já daqui a quinze dias.Irei julgar na 7ª o Agility grau 1 e o agility grau 3.
Infelizmente tem chovido toda a semana e o piso não vai estar nas melhores condições.Fiz as minhas pistas a contar com isso, piso escorregadio e até chuva na hora da prova.Não é a pista que tinha idealizado,espero que esta resulte bem, mas essa fica guardada para a próxima.Espero que tudo corra bem.Boa sorte a todos os concorrentes e para nós juízes.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

REFUGO – ZONA DE APROXIMAÇÃO




Muitas pessoas perguntam a partir de onde e qual o critério usado para definir a chamada zona de aproximação.Zona de aproximação é uma zona anterior a um obstáculo onde inversão de sentido de corrida ou exitação, paragem etc o juiz marca refugo.
Mais ou menos a que distância ela começa? 1mt , 1,5 mt , 2 mt mais ?

Hoje os cães estão cada vez mais bem treinados e rápidos e a abordagem dos obstáculos nomeadamente nos saltos é feita cada vez de mais longe.No caso da figura acima essa abordagem está a ser feita de mais ou menos 1,5 mt.Assim os juizes têm tendência a aumentar um pouco essa zona. No meu caso como uso sempre no mínimo 6 metros de distânica entre dois obstáculos a minha “ zona “ é mais ou menos a meio cerca de três metros antes do obstáculo seguinte.Dentro dessa área qualquer inversão , paragem etc eu marco refugo.

Curiosidade.
Se tivermos em conta que dois saltos estão a seis metros um do outro e que a velocidade média dos cães hoje é de 4,4 mt seg ( agility ) , claro cães de topo e com a abordagem a ser feita de cerca de 1,5 mt antes do salto, temos que o cão fica no solo 1 seg no máximo entre estes dois saltos.

Em próximo post vou falar mais um pouco sobre refugos e linhas de refugo.


Clique para ampliar:

sexta-feira, 22 de maio de 2009

REGRAS,INTERPRETAÇÃO E SUBJECTIVIDADE

O agility tem mais ou menos uns vinte e anos de existência.Cresceu tornou-se talvez o desporto cinófilo mais popular e ainda não consegue ter uns regulamentos que todos entendam.Não me venham dizer que o problema está na tradução porque não é.O problema é que fazem as regras e publicam.Depois alguém chamam a atenção de um erro e vem " guidelines e mais guidelines" e a confusão sempre a aumentar.Moral da história o regulamento da FCI tem 18 páginas e as "guidelines" já vão em 24 páginas,ou seja, custa mais explicar o que se escreveu do que escrever direito.Vem isto a propósito da célebre gangorra da Dory.Até ao momento ninguém da FCI veio dizer afinal o que é aquilo.Simples se sou eu que faço uma regra e a escrevo sei depois interpretá-la ou não?Pois mas aí começa o problema do que escrevo e do que eu quis dizer.è uma questão de interpretação e de subjectividade.Alguns juízes que contactamos sobre esse caso , as suas respostas são verdadeiros compêndios de interpretação e subjectividade.Todos com as suas razões mas sempre discutiveis por eles próprios.Não interpretem que recebemos respostas erradas ou acertadas, isso não está em causa pois a resposta certa esperamos da FCI, mas tanta interpretação e subjectividade nunca esperei. Foi preciso a Dory e o A & C 2009 para vermos que afinal ainda não está tudo escrito sobre regras e julgamentos.Esperemos as próximas "guidelines"com 3o páginas.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

TRÊS OBSTÁCULOS -TRÊS GRAUS DIFERENTES

Muitas vezes os juizes aproveitem as pistas uns dos outros para que as etapas se desenrolem com mais celeridade.Mudam algumas coisas, invertem as pistas etc.Na imagem acima mostramos que com os mesmos três obstáculos e a mesma sequência se podem fazer exercicios para os três graus. Os numeros 2 e 3 aconteceram este fim de semana.
Para mim:
1 - grau 1
2 - grau 2 ou 3
3 - grau 3

POR VEZES NÃO VEMOS.

Por vezes os juízes fazem coisas muito subtis e os condutores no reconhecimento não conseguem ver essa subtileza.Na foto acima, pista do Dan no grau 3 o numero 1 e 2 pequenos eram uma sequência e os 1 e 2 grandes outra.Ora ninguém sabe ao certo como um cão sai da manga, raramente sai a direito. Aí estava o perigo.Era preciso atenção do condutor para que o cão ao sair para o lado direito não fosse directo no distância.Alguns foram.
A casa parece um obstáculo inofensivo.Mas não é como já vimos em outro post.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

SAPATILHA

Quando pensamos que já vimos tudo, caso da gangorra da Dory,acontece mais uma situação no mínimo estranha.Um condutor faz um pivot e quando inicia a corrida para o salto seguinte uma sapatilha sai do seu pé e vai bater na asa do salto.Este salto era o da vez. Não aconteceu nada , a vara não caiu e o cão saltou normalmente. O condutor não apanhou a sapatilha nem o cão.
Até aqui acho eu tudo correto.Estava eu a julgar e pensei no momento.
1 - O condutor não tocou no obstáculo
2 - O condutor não apanhou a sapatilha ( Se pegasse teria sido eliminado )
3 - O cão não pegou a sapatilha ( Se pegasse teria sido eliminado )
Mas:
Se a sapatilha ao bater na lateral tivesse derrubado a vara ?
O cão não teria lá a vara para saltar ou ainda pior para mim podia ser que ao mesmo tempo que o cão saltava a vara caia .
Sinceramente não encontro nos regulamentos o que fazer neste caso e assim teria de ir para os casos omissos aqueles em que o juiz tem de decidir com bom censo.
Neste caso eu vi que a sapatilha não saiu por acção proposital do condutor.Se eu tivesse a certeza que a vara caiu por acção da sapatilha e não pelo cão não marcaria nada.Como aliás nada marquei.
Mas que acontece cada coisa ........
Já agora parece que a história da gangorra voltou a acontecer mas desta vez com outro final.
Em outra postagem eu explico.

BRASILEIRO - CAMPINAS

Mais um fim de semana com etapa dupla de agility.Primeiro vou falar do piso .A grama sintética com aquela borracha própria para jogar futebol, é o melhor para os cães. Não aquece o suficiente para magor as almofadas das patas dos cachorros e estes têm uma tracção quase perfeita.Para mim o melhor tipo de piso depois da grama natural.A competição propriamente dita foi muito boa,embora o grau 1 comece a preocupar um pouco pois estão a faltar duplas novas com aquela qualidade que logo se vê um futuro brilhante.Atenção escolas.Das pistas gostei de todas.Cada uma com as suas particularidades mas cada vez mais a deixar de lado a " pegadinha " ridícula, aquela que está tão evidente que ninguém cai nela, para dar lugar a exercícios inteligentes onde são postos á prova as qualidades do condutor e cão.Sempre disse que uma pista de agility é um conjunto de exercícios e que uma pista boa deve ter no máximo três exercícios distintos.Não posso deixar de destacar o julgamento do Aurélio pois á algum tempo que não julgava e -lo muito bem e do Renan na sua estreia no grau 2. Aqui abro um parentisis para dizer o seguinte. A Comissão de Arbitragem da CBA á qual eu pertenço abriu um excepção ao seu regulamento interno para nomear o Renan para julgar o grau 2, mas os julgamentos dele anteriores no iniciante e grau 1, mostraram-nos que podíamos confiar nele.Fez um bom julgamento com boas pistas . Tem coisas a melhorar? Claro que sim ,mas não temos todos? Por isso vamos trocando ideias e informações para que a arbitragem Brasileira seja cada vez melhor.
O importante é que todos estejam sempre abertos a ouvir opiniões e sugestões. Assim de certeza vamos cada vez mais ganhar árbitros e não deixar ninguém pelo caminho.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

MAU DESENHO DE UMA PISTA


São muitos os factores a considerar quando vamos desenhar uma pista de agility.Nos cursos nós falamos aos novos juízes que, quando um juiz recebe um convite para julgar deve procurara saber:
1-Medição da área livre para montagem da pista, entrada, saída e localização da secretaria
2-Tipo de piso
3-Obstáculos disponíveis pela organização
Sabendo a área livre extra para montar a pista pode fazer o seu desenho dentro dessa área.Onde estão localizadas as entrada,saída e secretaria,também é importante para podermos agilizar a prova.Quando se fala de 800 m2 o ideal será ser um 40mt x 20mt eu prefiro 25mt a 30mt de largura mas nunca poderá ser um 80mt x 10mt.O tipo de piso dá-nos uma ideia do tipo de pista que vamos desenhar.Se tivermos um piso que nos parece ir ser escorregadio devemos dar preferência a angulações mais abertas de maneira a que o cão não sofra muito nas mudanças de direcção.Os obstáculos que a organização dispõe é muito importante, pois embora seja obrigatório ter todos os obstáculos disponíveis,isso pode não acontecer e mudanças de ultima hora não são aconselháveis.Tendo estes elementos em seu poder o juiz pode então desenhar a sua pista tendo em atenção o grau que vai julgar.Terá de ter em atenção que obstáculos de zonas de contacto,slalom e salto em distância são obstáculos de particular atenção por parte do juiz e uma má colocação deste pode hipotecar o julgamento.Devemos sempre imaginar onde vamos estar em cada movimento do cão e ver se desse ponto estamos bem colocados para julgar.O pneu é outro obstáculo que principalmente nos minis e midis nos podem trazer problemas.
Dica:
Estejam atentos da reconhecimento para verem se a maioria dos condutores vão fazer a trajectória de condução que vocês esperam.Isto é muito importante para a vossa colocação e eventualmente verem se algum ponto da vossa trajectória de juiz não terá de ser alterada.
Na figura acima dois exemplos de pistas que estão regulamentares mas mal desenhadas e que o juiz não as consegue julgar bem.

terça-feira, 12 de maio de 2009

DO FUNDO DO BAÚ


Quando pensamos que conhecemos uma pessoa, ela nos surpreende ás vezes pela negativa e outras pela positiva.Bem isto a propósito do Alê, sim o do Xeroquito.Reconheço que fiquei admirado e um pouco apreensivo quando pelo telefone a Cibele me disse que ele não ia competir no A & C ,mas iria ajudar no que fosse preciso.Na nossa cabeça veio logo o Alê extrovertido que leva tudo na brincadeira e que ao pé dele ninguém consegue estar triste. Então lá veio a surpresa pela positiva.O Alê no A & C estava com um ar sério, compenetrado e atento nas suas tarefas,apenas relaxando nos intervalos.Foi sem duvida um dos nossos jockers se assim se pode chamar.
Claro que isso nos intrigou.Como poderia o Alê extrovertido, brincalhão ter uma postura tão "profissional" em tarefas que nunca tinha desempenhado ?Da pista para a organização.
Pois bem desvendamos o mistério.Vendo umas fotos do mundial de Espanha realizado em Valldolid,vejam quem aparece com um colete da organização.Sim ele mesmo o Alê do Xeroquito.
Afinal ele já era experiente nestas coisas da organização.
E esta hein?
Brincadeira á parte o Alê foi de uma ajuda enorme e a sua postura condizente com a de empresário de sucesso que ainda arranja tempo para o agility.
Valeu Alê